Comunicação

“Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja”

 

            A nossa paróquia está retomando neste ano de 2013 uma importante ação em nossas comunidades, já realizada no passado pelo padre Tiago – a “Escola da Fé”. Desta vez, com uma roupagem nova para que possamos atingir mais pessoas. Trata-se de grupos itinerantes de estudo da Sagrada Escritura que visitarão algumas de nossas comunidades mais centrais levando o estudo da Palavra do Senhor em forma de módulos.

            E, para mostrar que estamos, com essa ação, mais uma vez, em comunhão com a Santa Igreja, trago-lhes o resumo do documento 97 da CNBB, “Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja” a fim de fortalecer o nosso empenho em sermos verdadeiros anunciadores da Palavra. No final do documento, ele nos apresentará meios práticos de acentuar a Palavra do Senhor na nossa ação pastoral. Vale a pena ler!

 

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Agradecendo os 50 anos do Concílio Vaticano II e os vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja católica, os bispos do Brasil, reunidos em Aparecida, por ocasião da 50ª Assembleia Geral da CNBB, apresenta ao povo de Deus o Documento “Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja” com o desejo de colher os frutos espirituais e pastorais da Exortação Apostólica pós-sinodal Verbum Domini sobre a Palavra de Deus na Vida e Missão da Igreja do papa Bento XVI. Sua mensagem conclusiva desperta uma renovada atenção à voz da Palavra.

O objetivo deste documento é ser capaz de redescobrir, na Palavra de Deus, a fonte da constante renovação e o coração de toda a ação evangelizadora. São linhas de ação que poderão influenciar eficazmente na vida e na missão da Igreja, particularmente na catequese, na liturgia e no Testemunho da caridade, contribuindo, assim, para a profunda vivência da fé.

Deste modo, o documento começa fazendo uma reflexão da ação da Palavra de Deus na vida da Igreja e que só a partir do Concílio Vaticano I e II é que se entende que a Palavra de Deus não se revela somente para instruir o ser humano a respeito de realidades sobrenaturais ou doutrinais às quais a razão deve acolher, mas também para comunicar a salvação na forma de um encontro. A Revelação trata-se, portanto, de um evento comunicativo de Deus enquanto sua própria iniciativa em se estender a nós através da comunhão com Ele por meio da Palavra.  Ou seja, a revelação se dá na forma de um encontro entre Deus que busca e o ser humano que se deixa buscar; Ela também é performativa enquanto realidade transformadora que recria e conduz à salvação para quem a ela se abre, pela escuta. Essa comunicação é Palavra e ação divina de forma inseparável que precisa da abertura e a adesão do ser humano.

Assim também, Torna-se uma vez visível a centralidade da pessoa de Cristo, quando se admite que Ele é o perfeito “Sacramento do Encontro” entre Deus e o ser humano. Também hoje a iniciativa é do próprio Senhor que nos busca para que nos deixemos encontrar por Ele. Jesus, ao se dirigir aos primeiros discípulos, os convida para o seguimento no hoje da história como um tempo de graça, porque marcado profundamente por sua presença e pela perspectiva de seu Evangelho. Assim, a Palavra de Jesus, que é convite a estar com Ele (Mc 3,14), tem um alcance permanente e atual e ressoa no hoje da vida e da missão da Igreja.

A partir da compreensão fundamental da revelação, vista como um encontro do Deus que fala e do ser humano que o escuta, ao acolhê-la por intermédio de Jesus Cristo, Sacramento desse encontro, no hoje da história, nasce o desejo apostólico de uma animação bíblica da pastoral que consistirá na busca consciente e contínua de ter a Sagrada Escritura como alma da missão evangelizadora da Igreja reafirmando o que o santo padre deseja:  “que a Palavra de Deus apareça em lugar central na vida da Igreja”, recomendando que se incremente a pastoral bíblica; no entanto, não em justaposição com as outras pastorais, mas como animação bíblica da pastoral inteira.

Deste modo, à luz do Documento de Aparecida, pode-se entender a animação bíblica da pastoral sob três eixos:

Caminho de conhecimento e interpretação, que consiste em acentuar a dimensão da leitura e da escuta da Palavra, vinculada à sua interpretação a ser realizada na comunidade eclesial. Ela pode e deve se tornar um caminho de encontro com o Senhor. Muito embora o documento também alerta que, para que essa dimensão de estudo do texto e a busca de sua interpretação seja feita de maneira a favorecer o encontro com o Senhor deve-se evitar os extremos, ou seja, nem se deve fazer uma leitura fundamentalista da Sagrada Escritura materializando a letra e aprisionando a Palavra como revelação de Deus, nem muito menos, fazer uma leitura ideológica impondo ao texto, a partir de um contexto estranho ao seu mundo, uma compreensão que ele não possui. A compreensão da pastoral à luz da animação bíblica é o de proporcionar que a escuta e a interpretação da Página Sagrada alcancem o seu devido lugar: Um encontro pessoal com o Senhor.

Caminho de comunhão e oração com a Palavra; Consiste em estar atentos para poder promover nas várias atividades pastorais um lugar especial para a oração com a Palavra de Deus; Um destaque não apenas espacial mas, sobretudo, espiritual, no sentido de que nossos encontros alcancem o silêncio necessário para que Ela seja escutada. O documento fala da urgência em recuperar a “espiritualidade da escuta” nos ambientes eclesiais e, particularmente, na celebração litúrgica. É preciso que, nos pequenos e grandes encontros, seja valorizado sempre mais este exercício de leitura da Palavra que, bem praticado, conduz ao encontro com Jesus-Mestre.

Caminho de evangelização e proclamação da Palavra; Consiste em promover meios que favoreçam que a Palavra de Deus entre na vida das pessoas dando a elas a oportunidade de começar o processo de conversão pessoal, comunitária e pastoral que as leve a ser testemunhas corajosas que anunciam o que o Senhor realizou em suas vidas, como é próprio do encontro com Jesus Cristo vivo transformar-se num chamado à missão; a própria vida transformada se converte em mensagem. Esse processo também pode levar os cristãos a uma maior abertura ao ecumenismo.

O documento conclui dando linhas de Ação para que se possa atingir essas metas, a saber:

Valorizar a catequese como o espaço vivencial da escuta, ensino e vivência da Palavra; valorizar a relação entre a Sagrada Escritura e o Catecismo da Igreja Católica; Promover o estudo introdutório à interpretação bíblica para todos os cristãos; evidenciar a importância da Palavra de Deus e da Leitura orante nos grandes encontros; usar todos os meios de comunicação social – rádio, televisão, internet, redes de comunicação e outros, de maneira inteligente e cuidadosa, para levar aos fiéis o conhecimento e uma melhor interpretação da Sagrada Escritura. Dentre outros.

Diz ainda da necessidade de se reconhecer que os interlocutores (membros do Povo de Deus: leigos e ministros ordenados) da ação pastoral são também sujeitos e não apenas destinatários desta ação. Deste modo, todos são chamados a dar testemunho de acolhida e vivência da Palavra, afim de anunciar ao mundo de hoje: a Palavra de Deus, Jesus Cristo, que está presente. Ele é a mensagem de salvação e de vida.