PRINCÍPIO DA MISSÃO

5. Princípio da Missão em Natal, na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Após sete horas de viagem de ônibus, chegou a Natal, vindo de Recife. Não falava o idioma do Brasil. Não conhecia ninguém. Só havia visto Dom Nivaldo uma vez. Chegando a Natal, ficou hospedado em sua casa e lá permaneceu durante uma semana. Pe. Tiago questionou Dom Nivaldo sobre qual seria sua missão, ele sugeriu que Tiago assumisse o trabalho pastoral em Macau, mas seu pedido para ficar em Natal foi atendido.

Após um mês de andanças conhecendo um pouco a realidade de Natal, o padre optou pelo bairro das Quintas e pediu ao Arcebispo para iniciar sua experiência naquela comunidade que naquela época não era paróquia. Sua ação teve início pelos fins de abril de 1968. Iniciou celebrando Missas nas capelas e passava o dia nesse trabalho e pernoitava na Casa da Arquidiocese, localizada na rua Santo Antônio, no centro. Lá, tinha como companheiros: Dom Costa, padre Agnelo, padre Assis e outros.

Em 1969, criou-se a paróquia das Quintas, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que até então pertencia à paróquia de São Sebastião. Passou a pertencer à nova paróquia: Quintas, Nazaré, Bom Pastor, Cidade da Esperança, Felipe Camarão, Bairro Nordeste, Igapó e outras comunidades pequenas e algumas favelas. Estas comunidades somavam juntas 42 mil habitantes. Ele passou a celebrar Missas, Casamentos, Batizados dentre outros serviços, assim se sentia bem e útil, iniciando as transformações. Começou despertando nas pessoas a corresponsabilidade pelos problemas do seu meio, iniciou mostrando que religião não é só celebrar ou assistir a missas, mas viver aquilo em que se acredita, compartilhar o trabalho, os esforços, a alegria, o sofrimento, pois isto é que é vida em comunidade. Uma comunidade tem que ser construída, a transformação dependia de cada bairro.

No bairro 21 de abril passou três anos trabalhando e nada se conseguiu, no conjunto Monte Líbano também não houve sucesso, foi aí que se lembrou da história da “Figueira Estéril”, não conseguindo frutos, deixou essas áreas e procurou outras. Aos poucos começou a formar equipes em diversas comunidades. Pe. Tiago agia assim: Chegando à comunidade, ele questionava os moradores: - Quais eram os problemas? Diziam: faltava posto de saúde, escola, iluminação pública, calçamento dentre outros. Vinha, então, a pergunta seguinte: - Que podemos fazer para resolver estes problemas? Devemos ficar esperando pelo governo? Não.

Estudando um pouco a história de Natal, descobriu que em 1950, Natal tinha pouco mais de 40 mil habitantes, em 1968, já ultrapassava 200 mil habitantes. Nenhum governo podia acompanhar o ritmo das necessidades urbanas diante de tal explosão populacional, era economicamente impossível. Por exemplo: quando se construía uma escola em um bairro, já se precisava de mais duas, porque o crescimento populacional é tão rápido que a infraestrutura não acompanha o crescimento, daí cria-se um grande problema. Torna-se impossível o governo chegar com a necessária rapidez para solucionar os problemas. Assim, esperar sempre pelo governo não é o correto. Se o povo não faz alguma coisa e recebe tudo de mão beijada, não dá o devido valor ao que recebe. Quem recebe tudo sem esforço acaba se alienando e passa a dever ao político seu voto pelo “favor” que recebeu.

Com muita persuasão, conseguiu que o povo ajudasse na construção de postos de saúde, escolas. Foi explicando o modo de viver da família, o que os pais desejam para os filhos, a necessidade de se colocar Deus na família. Aos poucos, foi modificando e educando, assim foi o início de tudo. O reverendo começou o trabalho de evangelização dos pobres e ao mesmo tempo cuidando dos problemas cotidianos do rebanho. Logo percebeu que a realidade brasileira estava muito longe do que ele vivera em seu país. Começou então, com a ajuda da comunidade, a construir Ambulatórios, Clubes de Mães e Igrejas. Cada comunidade, aos poucos, crescia e seus sonhos se tomavam realidades ao invés de ficar apenas à espera do governo.

Na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro nas Quintas foram construídos onze (11) ambulatórios médicos, cinco (05) gabinetes odontológicos, além da criação de dezoito (18) clubes de mães. A carência maior permanecia, pois era na área da educação, ele percebeu que só os filhos das pessoas que tinham melhores condições é que tinham acesso à educação básica. Começou a fundar jardins de infância em cada comunidade. Foram doze jardins criados naquela paróquia. A referida paróquia cresceu muito, foi dividida e entregue ao Padre Cassiano em 1982. O Pe. Tiago ficou com o outro lado do rio Potengi, criando a nova paróquia de Santa Maria Mãe. Portanto, o primeiro ano em Natal, para Tiago, foi muito difícil, quase um pequeno inferno. Sem conhecer nada e ninguém, sentia-se isolado: “Mas superei tudo. Hoje só tenho que agradecer ao povo de Natal pela boa acolhida”.

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